TI e sustentabilidade ambiental
Este artigo foi adaptado de uma palestra programática apresentada por Jeff Nick, diretor de TI da EMC, na 19ª conferência anual de infra-estrutura de TI, realizada novembro passado no quartel general das Nações Unidas, em Nova York. A EMC foi co-patrocinadora do evento.
Entre todos os fatores que contribuíram nas duas últimas décadas para mudanças econômicas e políticas no mundo, um se sobressai: a tecnologia da informação (TI).
Anteriormente considerada um privilégio de países desenvolvidos, a TI agora preenche a lacuna entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento. O acesso às informações em si se tornou um fator de equilíbrio e um mobilizador na tentativa de atender a dois desafios urgentes: as mudanças climáticas e nossa capacidade de criar um ambiente global sustentável.
A TI está crescendo a uma taxa assustadora. De acordo com um white paper da IDC, encomendado pela EMC, o volume de informações criadas, capturadas e replicadas em 2007 totalizou 281 bilhões de gigabytes — mais de três milhões de vezes as informações contidas em todos os livros já escritos. E entre 2006 e 2011, o volume de dados somados anualmente ao universo digital aumentará 10 vezes.
Na EMC, quando consideramos as implicações desse crescimento nas mudanças climáticas, fazemos duas perguntas cruciais:
- Como, a curto e médio prazo, a TI pode minimizar seu impacto no ambiente global?
- Como a TI pode apoiar mudanças de cultura e processos que ajudem as pessoas e empresas a responder de modo tático, estratégico e sistemático à criação de um mundo mais eficiente em termos de consumo de energia?
Atenuando o impacto ambiental da TI
À medida que o acesso a informações via Internet ficou mais global, o domínio do pool de ativos se tornou muito menos concentrado em nações desenvolvidas. Conectividade e acesso quase onipresentes a informações permitiu que as pessoas dessem sua contribuição à base mundial de conhecimentos dos quatro cantos do globo. O aproveitamento desse capital humano global representa nossas melhores oportunidades de solucionar problemas críticos, como as mudanças climáticas.
Mas esse universo digital em eterna expansão não é uma panacéia: ele tem suas conseqüências ambientais. Esse universo consome grandes volumes de recursos na construção de data centers e server farms. Além disso, ele aumenta a demanda por energia. Ainda assim, muitos desses recursos são desperdiçados. A taxa média de utilização para servidores varia de 5 a 15%, e para armazenamento sem rede, de 20 a 40%. Isso significa que muitas empresas arcam com os custos de energia necessários para executar data centers a 100% da capacidade, mas só utilizam entre 5 e 15% dessa capacidade — um tremendo desperdício.
Ao mesmo tempo, até 70% das informações que uma empresa acumula podem nunca vir a ser acessadas, ou apenas raramente. É evidente que, para minimizar o impacto ambiental inerente ao rápido crescimento do volume de informações, o setor de TI precisa atingir níveis mais elevados de eficiência. Três iniciativas fundamentais em tecnologia apóiam esse objetivo:
- Virtualização e consolidação
- Gerenciamento do ciclo de vida das informações
- Eliminação da duplicação
Virtualização e consolidação são essenciais para a conservação de energia em um data center, onde os gerentes de TI instalam mais e mais sistemas para melhorar o desempenho, a redundância e a disponibilidade, mas sem dar enfoque à eficiência no consumo de energia e no resfriamento. A virtualização supre essas ineficiências separando o software do hardware inerente, de modo que um só computador possa executar vários sistemas operacionais e aplicativos. A melhor utilização de servidores e de armazenamento significa, por sua vez, a implantação de menos máquinas — demandando, desse modo, menos eletricidade para alimentação e resfriamento.
O ILM (Information Lifecycle Management, gerenciamento do ciclo de vida das informações) toma por base a premissa de que o valor das informações muda com o tempo. O ILM usa mecanismos automáticos para arquivar informações no dispositivo de armazenamento mais apropriado e eficiente no consumo de energia em todos os pontos de seu ciclo de vida. Por exemplo, informações essenciais aos negócios, assim como o acesso a informações em tempo real, exigem sistemas que ofereçam a mais alta confiabilidade e desempenho — e, conseqüentemente, exijam mais recursos e energia. Quando essas informações atingem um estado menos crítico, o ILM as transfere para um armazenamento que consome menos energia.
A eliminação da duplicação reduz drasticamente o volume de dados armazenados de backup, o qual resulta da ação de usuários que armazenam várias cópias do mesmo arquivo em diferentes locais na rede. Essa tecnologia interrompe a duplicação desenfreada transformando os arquivos em segmentos de dados que podem ser armazenados e reutilizados por múltiplos arquivos. O arquivo original é salvo e armazenado em backup somente uma vez em um servidor central. Quando edições do arquivo são enviadas para o servidor, elas se encontram sob a forma de segmentos novos e únicos de subarquivos associados ao original, e somente esses novos segmentos são armazenados em backup. A eliminação da duplicação pode reduzir a largura de banda de rede e o armazenamento de backup em um fator de 300.
Apoiando comunidades globais para mudar políticas e resultados
Além da redução do impacto ambiental relacionado à profusão do volume de informações, a TI tem um papel maior a desempenhar como veículo por meio do qual as informações sobre sustentabilidade ambiental podem ser compartilhadas, permitindo que as pessoas se unam em todo o mundo para desenvolver novas abordagens e soluções.
Uma plataforma de colaboração nova e global — possibilitada por blogs, wikis e redes sociais — tem dado origem a comunidades virtuais, nas quais todos podem contribuir em prol de um diálogo global, por meio da divulgação de suas próprias idéias, conteúdo e produtos para ampla difusão e participação via comentários. Isso está provocando uma mudança profunda no fluxo de coleta de informações, em sua distribuição, inovação, mobilização política e mais. E a própria GAID (Global Alliance for Information and Communication Technologies and Development, aliança global para tecnologias de informação e comunicação e para o desenvolvimento) das Nações Unidas tem usado essas tecnologias para cooperar em sua rede global.
Entretanto, é necessária uma iniciativa de colaboração global em escala imensamente maior para impulsionar a sustentabilidade ambiental. Conforme o número de elos entre pessoas e empresas cresce, podemos dizer o mesmo da capacidade de se combinar e recombinar idéias. Compartilhar conhecimento também constrói capital social e confiança, e serve de fomento para que pessoas e grupos se posicionem com mais firmeza e voz ativa à frente de suas idéias.
Criar sustentabilidade ambiental é um compromisso grandioso. Isso demandará colaboração e cooperação globais entre os maiores e mais influentes grupos envolvidos — as Nações Unidas, organizações governamentais e não governamentais, empresas, universidades e indivíduos. Exigirá uma visão sistêmica sobre geração de energia, uso de energia e mudanças climáticas.
E também determinará uma combinação de incentivos, normas, concessões, pesquisa contínua, imaginação e inovação para atender às mudanças globais necessárias em um prazo cada vez menor. A TI está posicionada para assumir uma parte importante e central nessa urgente tarefa.
